Culinária e Educação Nutricional com Crianças e Adolescentes

Saladas

Neste último semestre tive a excelente oportunidade de ministrar aulas de culinária e educação nutricional para crianças e adolescentes. A experiência foi ótima, e fiquei super feliz com o interesse e participação dos alunos.

Quando comecei a montar o cronograma das aulas, fui pesquisando por aí e vi que sempre que se tratava de crianças na cozinha o assunto principal eram doces e outras guloseimas.

No cenário atual onde 33% das crianças brasileiras sofrem de sobrepeso ou obesidade, onde alimentos repletos de calorias vazias estão presentes em abundância nas prateleiras dos mercados e nas propagandas em todos os meios de comunicação, será essa a melhor estratégia para abordar alimentação com os pequenos?

Doces e guloseimas são gostosos e atrativos e as crianças adoram, é verdade… mas temos que ensinar a eles que também o que é saudável e nutritivo tem sabor e é gostoso! O prazer em relação ao alimento não pode simplesmente estar associado ao excesso de açúcar, gordura e sal.

Conhecer os alimentos, suas propriedades, sua importância, suas origens, saber como prepara-los, como combiná-los… tudo isso faz parte de um aprendizado que é essencial à todos, e pode ser iniciado bem cedo na infância.

Quando a criança participa do processo de produção do alimento, o momento da refeição se torna muito mais interessante e ela acaba aceitando até mesmo ingredientes (principalmente verduras e legumes) que ela dizia não gostar!

Durante o período das aulas fizemos sanduíches, bolo integral, smoothies e sucos de frutas, batata assada recheada, cookie integral, pizzas saudáveis, pão de queijo multigrãos, milkshake de iogurte, pão de mandioquinha, panqueca, saldadas, hambúrguer de grão de bico e até creme de banana com linhaça germinada! Tudo foi muito bem aceito pelos alunos.

Mas pode comer um docinho? Pode! Também fizemos algumas guloseimas, mas o que tentei deixar claro para todos é que quando se tem uma alimentação saudável no dia a dia, não tem problema comer um docinho de vez em quando. As guloseimas devem ser exceção, e não rotina!

Uma criança obesa possui 80% de chances de se tornar um adulto obeso. Por outro lado, uma criança que aprende a prestar atenção na própria alimentação e se alimentar de forma equilibrada provavelmente será um adulto com hábitos saudáveis e alta qualidade de vida!

Para mais informações sobre a obesidade infantil no Brasil e a questão da qualidade da alimentação das nossas crianças, recomendo o documentário Muito Além do Peso, disponível gratuitamente para download ou visualização online no endereço http://www.muitoalemdopeso.com.br.

Sanduíches criativos

Bolinho de Espinafre com Queijo

Amora Preta

Amora Preta

É tempo dessa apetitosa frutinha!

De coloração negra e sabor que varia do doce ao ácido, a amora preta (Rubus sp) é geralmente consumida na forma de suco ou utilizada na preparação de geleias, iogurtes e sobremesas.

Além de saborosa, é também muito nutritiva: contém alto teor de vitaminas (A, B e C) e minerais (cálcio, fósforo, potássio, magnésio).
Possui também grande quantidade de pectina, um tipo de fibra solúvel que ajuda no controle do colesterol e glicemia sanguíneos.

Destaca-se ainda pelos antioxidantes, sendo rica em antocianinas (pigmento que confere a cor roxa à frutinha) e compostos fenólicos, como o ácido elágico. Estas substâncias são conhecidas por auxiliar na prevenção de doenças crônicas degenerativas, como as do coração e câncer.

A amora preta é bastante perecível. Assim, uma boa forma de armazenar grandes quantidades por mais tempo é congelando a polpa da fruta. Para isso, é só bater as frutas frescas no liquidificador com um pouquinho de água, coar e congelar (de preferência em pequenos recipientes para evitar ficar tirando e voltando ao freezer).
Depois é só utilizar, como na receita abaixo:

Shake de Iogurte com Amora Preta

Categorias:
– Café da manhã e lanches
– Lacto-vegetariana

Referências
– Tabela de composição de alimentos USDA
– Artigo “Compostos bioativos presentes em amora preta”. D. S. Ferreira et al. Campinas, 2010. Dosponível em http://www.scielo.br/pdf/rbf/2010nahead/aop11610.pdf
– Artigo “Aspectos técnicos da cultura de amora preta”. L. E. C. Antunes et al. Pelotas, 2004. Disponível em http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/32426/1/documento-122.pdf