A Importância de Cozinhar

“Cozinhar é a melhor coisa que você pode fazer pela sua saúde. Cozinhe e celebre a comida!”
Sophie Deram

Desde o início deste blog tenho compartilhado diversas receitas esperando incentivar quem as lê a reproduzi-las em casa de forma que percebam que preparar uma comida saudável pode ser muito simples, saboroso e divertido. Eu amo cozinhar e percebo os benefícios que isso traz para a minha vida, por isso gostaria de escrever os motivos pelos quais eu acredito que cozinhar é muito importante e porque eu acho que todos deveriam se aventurar na cozinha também.

Cozinhar é uma forma de amar

Preparar uma refeição saborosa e nutritiva é uma forma de cuidar e de mostrar às pessoas que você ama o quanto elas são importantes, incluindo você mesmo.
Cozinhar pode ajudar a relaxar e aliviar a mente das preocupações e estresses do dia a dia. Sentar à mesa com tranquilidade, sozinho ou com pessoas queridas, e saborear uma refeição preparada com carinho faz muito bem para o coração.

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É muito melhor prepararmos em casa nossa própria comida, utilizando ingredientes frescos e/ou minimamente processados do que consumir produtos já prontos e altamente industrializados.
Quando cozinhamos em casa temos mais controle sobre a origem e a qualidade da nossa comida e a forma como ela é preparada.  Sabemos exatamente quais ingredientes estão presentes, sabemos o que eles são e de onde vieram e sabemos o cuidado que tivemos para preparar um alimento seguro.
Para exemplificar, vamos pensar em um biscoito de chocolate. Uma receita simples para fazer em casa leva farinha de trigo, água, cacau, açúcar, óleo, e fermento. Se você for parar para ler o rótulo de um biscoito de chocolate industrializado, vai ser surpreender com a quantidade de ingredientes utilizados e principalmente com a quantidade de nomes que você não faz a menor ideia do que significam. Alimentos industrializados contém uma quantidade abusiva de açúcar, gordura, sal e substâncias químicas (como conservantes, aromatizantes, estabilizantes, emulsificantes, etc) para que possam durar muito mais tempo nas prateleiras de supermercados e enganar nosso paladar. Isso, a longo prazo, não é interessante para nossa saúde.

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Preparar uma refeição nutritiva e saborosa não precisa ser difícil, não necessita habilidades extraordinárias e nem precisa levar horas. Você só precisa de planejamento. Planejar o cardápio da semana com antecedência de forma a ter alimentos disponíveis na geladeira e na despensa, deixar pré preparados alguns ingredientes e congelar pequenas quantidades de algumas preparações que demandam mais tempo são algumas dicas que irão simplificar muito o momento do preparo da refeição. Um simples macarrão com molho de tomates frescos, queijo parmesão ralado e alguns ramos de brócolis já é um exemplo de uma refeição saudável e gostosa, que pode ser preparada sem segredos e em apenas 20 minutos. Distribuir tarefas e pedir ajuda para todos os integrantes da casa também torna tudo mais simples, além de fortalecer as relações, criar um vínculo afetivo e tornar o momento da refeição muito mais agradável.

Cozinhe com as crianças

Envolver as crianças no preparo dos alimentos é divertido e desperta o interesse pela alimentação e a curiosidade em relação a novos alimentos, novos sabores e combinações. Crianças que participam deste processo tendem a se alimentar de forma mais variada. E além da educação nutricional, na cozinha também é possível exercitar ciências, matemática, geografia… e desenvolver a criatividade, organização, autonomia e paciência.
Há dois anos dou aulas de culinária e educação nutricional para crianças e adolescentes, e a cada vez que escuto frases como “vou fazer hoje mesmo essa receita em casa” ou “vou fazer essa receita para surpreender a minha mãe” ou então quando alguma mãe ou pai de aluno me conta o quanto estão participativos na cozinha de casa, preparando refeições para toda a família, meu coração dá pulos de alegria, pois percebo que essa criança se tornará um adulto consciente de suas escolhas alimentares e com hábitos alimentares muito mais saudáveis.

O novo Guia Alimentar para a População Brasileira (2014) recomenda:

 “Desenvolva, exercite e partilhe suas habilidades culinárias, valorize o ato de preparar e cozinhar alimentos, defenda a inclusão das habilidades culinárias como parte do currículo das escolas e integre associações da sociedade civil que buscam proteger o patrimônio cultural representado pelas tradições culinárias locais.
Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las, principalmente com crianças e jovens, sem distinção de gênero. Se você não tem habilidades culinárias – e isso vale para homens e mulheres –, procure adquiri-las. Para isso, converse com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos e… comece a cozinhar!”

Eu sei que, por causa da rotina, nem sempre é possível preparar todas as refeições em casa. Mas tente começar com apenas uma refeição, ou com um dia da semana. Se fizermos o nosso melhor, com aquilo que temos disponível, podemos trazer inúmeros benefícios para a saúde física e emocional de nós mesmos e de todos aqueles que amamos!

(PANCs – Parte 2) Frutos de Pupunha

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A Palmeira Pupunha é muito cultivada no Brasil para o aproveitamento do palmito. Na Amazônia, porém, os frutos também possuem papel importante na dieta por serem fonte de energia proveniente de amido e lipídeos. Além disso, são ótima fonte de carotenoides, precursores da vitamina A (importante para a pele e visão) e antioxidantes que podem reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis.

Há algumas semanas tenho observado as Palmeiras Pupunha em nosso quintal começarem a dar frutos. Os frutos foram amadurecendo, ganhando cor, e foram chamando cada vez mais minha atenção. Pesquisei e me certifiquei que sim, os frutos são comestíveis quando cozidos. Crus não, devido à grande quantidade de oxalato de cálcio, que irrita a boca e a garganta.
A única dificuldade seria descobrir uma forma de apanhá-los, já que as  palmeiras tem cerca de 30 metros de altura, mas, felizmente, eu me casei com um especialista em técnicas verticais!

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Ele escalou uma das palmeiras, e colheu três cachos grandes e fartos como o da foto:

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Tirei-os do cacho, selecionando os melhores: alguns estavam já um pouco passados, com a casca muito rachada e começando a deteriorar por dentro. Os bons eu coloquei na panela de pressão, cobri com água e levei ao fogo por cerca de 1 hora após levantar fervura. Desliguei o fogo e deixei na panela até a pressão sair sozinha. Quando mais cozido, menos fibroso e mais doce ele fica.
Retirei os frutos da panela, descasquei e tirei a semente (que separei, lavei e guardei). E experimentei, é claro, porque estava louca de curiosidade e vontade, já que a casa estava tomada por um cheiro incrível de dar água na boca. Pode-se comê-los assim mesmo, puro com sal ou também com manteiga, como é comum no norte do país. A textura é um pouco como a da mandioca e da batata doce, mas um pouco mais fibrosa e o sabor lembra a castanha portuguesa (bem como observou a Neide Rigo em seu blog, Come-se).
Comemos alguns puros e o restante eu bati no liquidificador, e formou-se uma farinha. Essa farinha eu usei pra fazer purê e pão, super aprovados! As receitas seguem abaixo:

Pão de Pupunha Purê de Pupunha

Sementes
As sementes que eu retirei dos frutos, lavei e guardei. Batendo cuidadosamente com um martelo, a casca se parte e podemos comer a castanha de dentro, que é um pouco fibrosa, mas muito saborosa. Na próxima vez que eu fizer o pão, colocarei os coquinhos na massa! Parece bom, não?

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Para saber mais:

– Livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil – Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas – Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi – 2014

– Blog Come-se – Nutricionista Neide Rigo