Alimentos Saudáveis X Alimentos Não Saudáveis

alimentação saudável

Quando o assunto é alimentação, é muito frequente e comum esse tipo de pensamento dicotômico:

Saudável x Não Saudável

Bom x Ruim

Pode x Não Pode

Não Engorda x Engorda

Ou seja, separamos os alimentos em dois grandes grupos: “certo” e “errado”. Mas será que precisa ser assim?

Existem, sim, alimentos com valor nutricional mais interessante do que outros. Por exemplo: um copo de suco de laranja é definitivamente mais nutritivo do que um copo de refrigerante, e alguns morangos possuem mais nutrientes que um pedaço de pudim de leite condensado.

Mas isso não necessariamente significa que o suco e a fruta sejam mocinhos que o refrigerante e o pudim sejam vilões.
Tudo é uma questão de equilíbrio, e antes de julgar e classificar, precisamos colocar as coisas dentro de um contexto. Não devemos olhar para o alimento de forma isolada, mas considerar também a quantidade, frequência e os comportamentos aos quais eles são associados.

Beber refrigerante em todas as refeições pode não ser um bom hábito, mas consumir a bebida durante uma comemoração pode não fazer mal algum. Devorar um pudim inteiro em 5 minutos porque está se sentindo frustrado provavelmente não fará bem ao seu corpo e nem mudará a causa da emoção, mas degustar um pedaço de pudim aproveitando todo o prazer que ele oferece pode não causar nenhum mal à sua saúde e pode te trazer um pouco de conforto.
Da mesma forma, consumir alimentos com alto valor nutricional diariamente é extremamente benéfico para a saúde, mas tornar-se obcecado por isso pode até virar um transtorno alimentar.

É sempre importante lembrar que não comemos apenas para suprir nossas necessidades nutricionais. A comida também está relacionada ao nosso prazer, nossas emoções, memórias, à nossa socialização. E não há nada de errado nisso se soubermos encontrar nosso equilíbrio.

Com parcimônia, todos os alimentos podem fazer parte da nossa alimentação. Assim, da próxima vez que se perguntar se um alimento é saudável ou não, saiba que a resposta sempre será: depende!

(Tirando o foco do peso – Parte 2) Autoaceitação

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Na primeira parte desta série “Tirando o Foco do Peso” escrevi sobre como é irrelevante olharmos para o peso de forma isolada sem levar em consideração uma avaliação física completa (leia aqui).

O segundo ponto que acho importante de ser discutido é a questão da autoaceitação corporal.

Sempre que inicio um acompanhamento nutricional com um paciente tento manter o foco em atingir saúde e bem estar, e não em conquistar um número idealmente estipulado e que pode não ter significado plausível, tirando assim o foco do peso. Buscamos mudanças de hábitos e comportamentos que trazem saúde física (peso corporal estável, exames sem alterações, ausência de dor e desconforto, disposição para as atividades do dia a dia, corpo fisicamente ativo) e um bem estar emocional (satisfação, prazer, alegria, amor próprio). O sucesso não depende necessariamente da mudança no peso.

É triste como a cada dia ficamos sabendo de mais uma maluquice da moda (cirurgias, dietas radicais, medicamentos) que promete maravilhas, tudo para a conquista de um número, um manequim que é impossível de servir em todo mundo.
Sabemos que resultados dessas estratégias radicais quase nunca são duradouros, e há retorno do peso original (ou mais) quando velhos hábitos são retomados e um desequilíbrio da composição corporal e dos parâmetros bioquímicos do sangue. E como a metas são irreais, o resultado é sempre o mesmo: frustração e insatisfação consigo próprio.

Precisamos repensar os conceitos e os padrões estéticos e começar a aceitar que existem diversos tipos, tamanhos e formas de corpo, e que enquanto não fizermos as pazes conosco mesmos e estipularmos metas reais e significativas (não só no âmbito nutricional, mas em todos os aspectos da vida), esse ciclo vicioso de insatisfação corporal nunca será quebrado. Acima de tudo, ame-se e seja carinhoso com você!