Benefícios da Alimentação Vegetariana para a Saúde

Que a alimentação vegetariana é nutricionalmente possível quem acompanha o blog já sabe. Mas será que, além de possível, também pode nos trazer alguns benefícios?
Veja abaixo a relação entre a alimentação vegetariana e algumas doenças crônicas não transmissíveis.

Doenças Cardiovasculares
Vegetarianos (tanto ovolacto quanto vegetarianos estritos) tem menor risco de doenças cardiovasculares (mesmo após ajuste de IMC).
Diversos estudos demonstram redução da prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) em populações vegetarianas, sendo ainda menor em vegetarianos estritos (pode estar associado também com IMC).
A redução da mortalidade por doença cardíaca isquêmica (DCI) em vegetarianos é de 31% em homens e 20% em mulheres. A DCI é quando ocorre estreitamento dos vasos que levam sangue oxigenado para o coração devido ao acúmulo de gordura (aterosclerose) prejudicando ou impedindo o fluxo sanguíneo adequado, podendo ocasionar infarto.

Vegetarianos possuem um alto consumo de fibras, esteróis e antioxidantes proveniente de plantas (leguminosas, castanhas, sementes, cereais integrais, óleos vegetais) e um menor consumo de gordura saturada. Isso gera um melhor estado antioxidante, menor nível de colesterol sanguíneo (total e LDL), menor espessamento da camada interior das carótidas com o envelhecimento, redução da aterogenicidade e melhor resposta à vasodilatação (maior integridade endotelial).

É necessário, porém, que haja atenção para altos níveis de homocisteína, pois pode ser fator de risco para doenças cardíacas. Para evitar isso, o nível de B12 deve sempre estar ajustado.

Diabetes (tipo II)
Muitos estudos mostram que a alimentação vegetariana tem impacto positivo na redução da incidência e no tratamento de diabetes tipo 2 inclusive dieta vegetariana estrita com elevada porcentagem de carboidratos complexos – pois melhora a sensibilidade à insulina.
O consumo de carne e de carne processada está associado ao aumento do risco de diabete tipo 2 (mesmo após ajuste de IMC, calorias ingeridas e exercício). A cada porção de carne vermelha ingerida o risco de diabetes aumenta em 26% e a cada porção de carne embutida o risco aumenta de 38 a 73%.
Em relação ao tratamento, um estudo concluiu que uma dieta vegetariana estrita mostrou-se mais eficiente que a dieta onívora equilibrada: maior redução de LDL, no uso de medicamentos, na perda de peso e na microalbuminúria.

Câncer
O consumo de carne vermelha e carne processada é constantemente associado com o aumento no risco de câncer colorretal.
De acordo com a OMS carnes processadas possuem grau de evidência suficiente em relação a câncer (Grupo 1), enquanto carnes vermelhas possuem grau de evidência limitada, mas provavelmente causam câncer (Grupo 2A).
Cerca de 34.000 mortes por câncer por ano em todo o mundo estão atribuídas a dietas com altos teores de carne processada. Comer carne vermelha ainda não foi estabelecido como causa para câncer, porém se as associações reportadas forem provadas como sendo causais, a estimativa é de que o consumo de carne vermelha seja responsável por 50.000 mortes por câncer em todo o mundo.
Um estudo mostrou que um aumento do consumo de 100g de carne por dia aumenta risco de câncer de cólon em 12 a 17% e o aumento do consumo de 25g de carne processada aumenta risco de câncer de cólon e reto em 49%.

Compostos carcinogênicos (aminas heterocíclicas) são formados a partir da creatina durante o processo de cocção da carne em altas temperaturas (grelhar, fritar, assar, churrasco).
O ferro heme, tipo de ferro presente nas carnes, também está associado ao maior risco de câncer de cólon.
Vegetarianos apresentam alto consumo de verduras, legumes, frutas, cereais integrais e leguminosas que contém uma mistura complexa de fitoquímicos e antioxidantes que interferem em diversos processos celulares envolvidos na progressão do câncer.

Obesidade
Populacionalmente os estudos demonstram IMC menor em vegetarianos em comparação à onívoros, provavelmente porque vegetarianos desenvolvem uma maior preocupação com a saúde.
No entanto, a dieta vegetariana pode levar ao emagrecimento, manutenção do peso ou à obesidade. Tudo depende da elaboração da dieta, do estilo de vida e da composição metabólica do indivíduo.

Anemia
A prevalência de anemia na população é igual entre vegetarianos e onívoros (1/3 da população mundial).
Vegetarianos devem se atentar para o consumo adequado de ferro em sua alimentação para evitar a doença assim como qualquer indivíduo.
Importante lembrar que o baixo consumo de ferro não é o único fator de risco para a anemia. Outros fatores associados são: grandes perdas de sangue (doenças, cirurgias, verminoses, menstruação, etc), má absorção, aumento da demanda do organismo (gestação, fases de crescimento acelerado), entre outros.

Osteoporose
Vegetarianos estritos em geral consomem menor quantidade de cálcio que a recomendação brasileira, porém os estudos não mostram diferença entre massa óssea deste grupo quando comparado a lactovegetarianos ou onívoros (pode ser igual, pior ou melhor).
Existem diversos alimentos vegetais ricos em cálcio como hortaliças do grupo das brássicas (couve, brócolis, couve flor, repolho, rúcula, agrião, etc), gergelim, amêndoas, alimentos fortificados, etc). A baixa ingestão de cálcio é um dos fatores de risco, porém também existem outros fatores que influenciam na densidade da massa óssea e risco de osteoporose: idade, genética, algumas doenças, atividade física, medicamentos, níveis hormonais, fatores ambientais, tabagismo, consumo de outros nutrientes (como vitamina D, vitamina K, potássio, magnésio, sódio, proteínas), entre outros.

Doença Diverticular
Um estudo encontrou risco menor de doença diverticular em vegetarianos quando comparado à onívoros. O alto consumo de fibras é considerado fator protetor e o consumo de carne é considerado fator de risco para o desenvolvimento da mesma.

Outras situações em que a alimentação vegetariana traz benefícios são: doenças renais (ingestão excessiva de proteína é fator de risco), demência cerebral (vegetarianos possuem menor pressão arterial e melhor estado antioxidante), doenças inflamatórias (melhor estado antioxidante em vegetarianos).

Estudos não demonstram aumento da prevalência de nenhuma doença crônica degenerativa não transmissível em populações vegetarianas.

Em conclusão, as dietas vegetariana e vegetariana estrita quando corretamente planejadas são saudáveis, nutricionalmente adequadas e podem fornecer benefícios à saúde auxiliando na prevenção e no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis.

Referências:
– Guia Alimentar de Dietas Vegetarianas para Adultos (Sociedade Vegetariana Brasileira, 2012)
– Position of the American Dietetic Association: Vegetarian Diets (2009)
– “Q&A on the carcinogenicity of the consumption of red meat and processed meat” – Organização Mundial da Saúde (disponível em http://www.who.int/features/qa/cancer-red-meat/en/ Acesso dia 20/09/2017)

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