(PANCs – Parte 3) Hibisco e Maria-Sem-Vergonha

Utilizar flores na alimentação é uma belíssima forma de agregar nutrientes e sabor à preparações simples.

Hibisco - CópiaAs sépalas do cálice da flor de Hibisco (também conhecido como Vinagreira ou Rosela) possuem sabor levemente azedinho, e o que mais se destaca é a linda cor vermelha que conferem a qualquer preparação. São bastante utilizadas na forma de chá, porém suas utilidades culinárias vão além: os cálices podem ser utilizados em molhos, chutneys, pães, sobremesas e outras bebidas. Na culinária nipo-brasileira os cálices são utilizados para fazer uma conserva, Hana-umê.

20150620_114922_Richtone(HDR)A Maria-Sem-Vergonha nasce espontaneamente em quase todo quintal aqui na região Sudeste, fazendo jus ao nome, e floresce o ano todo. Quem, quando criança, nunca provou uma destas flores ou utilizou para fazer “comidinhas” nas brincadeiras infantis? Pois saiba que as flores de maria-sem vergonha podem ser consumidas cruas ou cozidas, em geral em saladas, sobremesas ou como decoração comestível em outras preparações.

Abaixo compartilho três receitas elaboradas com estas flores. E asseguro que, além de lindas, ficaram também muito saborosas!

Pão de Hibisco

Geleia Hibisco e Maria Sem Vergonha

Comidas6

Para saber mais:

– Livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil – Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas – Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi – 2014

– Livro Entre o Jardim e a Horta, as flores que vão para a mesa – Gil Felippe – 2003

Advertisements

(PANCs – Parte 2) Frutos de Pupunha

                       pupunha DSC_0324

A Palmeira Pupunha é muito cultivada no Brasil para o aproveitamento do palmito. Na Amazônia, porém, os frutos também possuem papel importante na dieta por serem fonte de energia proveniente de amido e lipídeos. Além disso, são ótima fonte de carotenoides, precursores da vitamina A (importante para a pele e visão) e antioxidantes que podem reduzir o risco de doenças crônicas não transmissíveis.

Há algumas semanas tenho observado as Palmeiras Pupunha em nosso quintal começarem a dar frutos. Os frutos foram amadurecendo, ganhando cor, e foram chamando cada vez mais minha atenção. Pesquisei e me certifiquei que sim, os frutos são comestíveis quando cozidos. Crus não, devido à grande quantidade de oxalato de cálcio, que irrita a boca e a garganta.
A única dificuldade seria descobrir uma forma de apanhá-los, já que as  palmeiras tem cerca de 30 metros de altura, mas, felizmente, eu me casei com um especialista em técnicas verticais!

Blog2

Ele escalou uma das palmeiras, e colheu três cachos grandes e fartos como o da foto:

pupunha 01pupunha 02

Tirei-os do cacho, selecionando os melhores: alguns estavam já um pouco passados, com a casca muito rachada e começando a deteriorar por dentro. Os bons eu coloquei na panela de pressão, cobri com água e levei ao fogo por cerca de 1 hora após levantar fervura. Desliguei o fogo e deixei na panela até a pressão sair sozinha. Quando mais cozido, menos fibroso e mais doce ele fica.
Retirei os frutos da panela, descasquei e tirei a semente (que separei, lavei e guardei). E experimentei, é claro, porque estava louca de curiosidade e vontade, já que a casa estava tomada por um cheiro incrível de dar água na boca. Pode-se comê-los assim mesmo, puro com sal ou também com manteiga, como é comum no norte do país. A textura é um pouco como a da mandioca e da batata doce, mas um pouco mais fibrosa e o sabor lembra a castanha portuguesa (bem como observou a Neide Rigo em seu blog, Come-se).
Comemos alguns puros e o restante eu bati no liquidificador, e formou-se uma farinha. Essa farinha eu usei pra fazer purê e pão, super aprovados! As receitas seguem abaixo:

Pão de Pupunha Purê de Pupunha

Sementes
As sementes que eu retirei dos frutos, lavei e guardei. Batendo cuidadosamente com um martelo, a casca se parte e podemos comer a castanha de dentro, que é um pouco fibrosa, mas muito saborosa. Na próxima vez que eu fizer o pão, colocarei os coquinhos na massa! Parece bom, não?

DSC_0315

Para saber mais:

– Livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil – Guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas – Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi – 2014

– Blog Come-se – Nutricionista Neide Rigo

 

(PANCs – Parte 1) Charutinho de folha de Pariparoba com Cogumelo e Palmito

Plantas Comestíveis Não Convencionais (PANCs) são aquelas que podem ser utilizadas para alimentação humana, mas que muitas vezes são desconhecidas, utilizadas com outro fim ou até mesmo tratadas como ervas daninhas ou invasoras.
Há algum tempo venho me interessando pelo assunto e, pesquisando, sempre me deparava com uma grande carência de informações confiáveis e oficiais.
Ano passado, entretanto, foi lançado o livro Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) no Brasil: guia de identificação, aspectos nutricionais e receitas ilustradas, dos autores Valdely Ferreira Kinupp e Harri Lorenzi. O livro é genial, possui mais de 300 espécies de plantas e 3 receitas para se fazer com cada uma delas!
São muitas as plantas diferentes para reconhecer e procurar pelos quintais afora, então vou escolhendo algumas mais disponíveis em minha região e cada uma que eu testar vou compartilhar aqui no blog.

A primeira escolhida foi a folha de pariparoba (Piper umbellatum L.), também conhecida como caapeba, aguaxima e catajé. Segundo os autores, é nativa em quase todo território brasileiro, crescendo espontaneamente em áreas abertas ou beira de capoeiras úmidas e semi-sombreadas. As folhas jovens podem ser utilizadas culinariamente escaldadas, salteadas e para envolver alimentos que vão ao forno (em substituição do papel alumínio). Do ponto de vista nutricional, as folhas são ricas em fibras, cálcio, ferro e potássio.

IMG_1186 IMG_1130
Uma das receitas sugeridas no livro é o Charuto de Pariparoba, que fizemos aqui em casa e aprovamos. Em sabor e aparência lembram muito as folhas de couve.

Segue a receita:

Charutinhos de Folha de Pariparoba com Cogumelo e Palmito

Ingredientes
12 folhas pequenas e 1 folha grande de pariparoba
250g de cogumelo paris picado
300g de palmito pupunha picado
½ cebola picada
½ pimentão verde picado
1 colher de sopa de azeite
2 colheres de sopa de molho de soja (shoyu)

Para o molho:
½ xícara de chá de folhas de hortelã
6 dentes de alho
1 colher de sopa de sal marinho

Modo de Preparo
Aqueça uma frigideira e adicione o azeite. Acrescente a cebola e o pimentão picados e deixe dourar. Adicione os cogumelos, o palmito e o molho de soja e refogue bem até que fiquem levemente macios. Monte os charutinhos acrescentando um pouco de recheio sobre uma folha de pariparoba e enrolando.
IMG_1131 IMG_1133
Para fazer o molho, em um pilão amasse os dentes de alho com o sal e as folhas de hortelã.
Forre uma panela grande com a folha grande de pariparoba. Disponha sobre ela uma camada de charutinhos, lado a lado, e cubra com metade do molho. Acrescente mais uma camada de charutinhos e adicione o restante do molho.
IMG_1138Acrescente água até cobrir a primeira camada de charutinhos, tampe a panela e leve ao fogo até cozinhar. Retire da panela com cuidado os charutinhos e disponha-os em uma travessa. Sirva!
IMG_1144